21 Novembro 2008

Puta e Playboy.

Conversando com o namorado chegamos no seguinte assunto: “nu artístico”.

É, nossos assuntos vão desde nu artístico até rir da cara de pseudo-celebridades blogueiras que certamente levarão isso para o umbigo e não para consciência.
Seguindo o velho: “Falem mal, mas falem de mim. Seus invejosos”.

Mas enfim, voltando ao foco.

Conclusão rápida e sem pestanejar: Não existe a menor diferença entre prostituta e quem tira roupa por dinheiro. Seja onde for.

E quando falo isso entre amigos e familiares deve soar bem estranho, já que meu trabalho é fotografia.
Aqui no blog realmente espero que os leitores levem isso como o ponto forte e me dêem carta branca no assunto.

O que diferencia a última capa da Playboy com a menina que nesse exato momento está parada na Voluntários da Pátria (a Rua Augusta de Porto Alegre) esperando o próximo cliente? O cachê.
E não sejamos bobos. A existência de uma pequena e seleta clientela disposta pagar caro por uma noite com coelhinhas da Playboy e quem sabe até as próprias capas todos nós já sabemos, ou pelo menos você deveria saber. Certamente é algo muito restrito, de acesso quase impossível caso você não tenha dinheiro na mão e ponto final.

Não existe linha separando a puta pobre da puta de luxo além do valor.
Puta é puta.

As notas são as mesmas, o objetivo de aparecer em um programa de tv é o mesmo (ou então você acha que na Rua Augusta as meninas não adorariam aparecer no SuperPop? Tudo questão de oportunidade. Já que Luciana Gimenez prefere travestis espancados por homossexuais famosos), saber que existe um homem, nesse exato momento se masturbando e quem sabe até deixando fluídos nas páginas da revista aumenta o ego delas, sim. E talvez seja o mesmo ego massageado que a menina da Augusta tenha quando sabe que pagam pelo corpo dela. Já que existem outras milhares profissões e mesmo assim ela continua na rua. Que chamem de boicote, processo de negação e o diabo a quatro, mas para elas deve existir um prazer além do dinheiro.

Agora antes que entendam mal (mesmo sabendo que essa altura do campeonato já estou sendo taxada de machista e minha pré-ocupação é enorme) sou muito a favor do nu artístico feminino, já que na minha opinião o fotógrafo precisa ser muito bom para conseguir suavizar a imagem de um homem nu.

Mas como pode? Alguém que segundos atrás comparou ou simplesmente não vê diferença entre quem posa na capa da maior revista masculina com a “massagista-de-telefone-publico”.
Simples.
Existem pessoas que amam arte, amam exibir o corpo e ter essas imagens. Podem chamar de exibicionismo, narcismo, pretensão ou até muita segurança e confiança, caso você prefira o Photoshop. E para um profissional não existe nada mais gostoso que fotografar alguém nu. Sem pretensão de cachê, fama, número de vendas...
Alguém que no final do trabalho simplesmente vai ficar satisfeito, levar suas fotos para casa e fazer delas o que bem entender.
Essa é a grande diferença entre nu artístico e prostituição.

Esse é o pai que soltará fogo pelas ventas quando souber que a filhinha dele posou para um fotógrafo.
E nua!
Que a criancinha dele tirou a roupa para um desconhecido e o pior: tem imagens (na cabeça dele: provas) disso!

Já o pai da puta, terá outra reação. Mesmo que tenha pago alguns anos de faculdade particular e ela não tenha absorvido o mínimo e clichê: “se preocupe com seu cérebro e não com sua bunda”, pois agora existe uma enorme inversão de papel. Onde ela, pagará a tv a cabo com o dinheiro que ganhou com o rabo. E quem sabe ele até fique feliz quando for citado na frase “agora pretendo ajudar minha família” ou ganhe uma visita do “Gugu na Minha Casa”.